Cidades Saúde Vilhena

Pacientes com câncer sofrem com falta de morfina em Vilhena

“É muita dor. Nem sei explicar, de tanto que dói. A dor é tão forte, que eu quase não aguento”, relata a idosa Anália Alves Ferreira, de 74 anos. Ela tem câncer no pulmão e precisa tomar morfina diariamente.

Porém, há 15 dias, a paciente não consegue tomar o medicamento no Hospital Regional. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), o remédio não está em falta na unidade, contudo, não é suficiente para atender toda a demanda do município. Uma compra emergencial foi realizada e remédios devem chegar na próxima semana.

A mulher que trabalhou a vida toda na roça, mãe de 10 filhos, foi diagnosticada com câncer em março deste ano. Em junho, começou a tomar morfina, que é utilizada no alívio da dor intensa aguda e crônica. “Sem a saúde ninguém faz nada. Se não tem o remédio, o paciente fica sofrendo e atrapalhando os outros que tem que trabalhar, que tem que cuidar”, ressalta a idosa.

A gerente operacional Eni Camargo, de 41 anos, é filha de dona Anália. Ela explica que, há 15 dias, o medicamento não é aplicado na mãe. Segundo ela, em virtude da falta do remédio no Hospital Regional, os profissionais de saúde substituíram para outros remédios, porém, não teve o mesmo efeito da morfina.

“Eles [profissionais de saúde] dizem que não tem morfina no hospital. Esta semana, ela chorou uma noite toda com dor. Ela sente dor 24 horas. É muito sofrimento para ela e para nós também. Ela grita de dor. Mãe é uma coisa sagrada. É um momento difícil, e a gente fica com as mãos atadas”, lamenta a filha.

A falta de morfina no hospital também é confirmada por uma dona de casa, de 53 anos. Ela cuida do pai, de 79 anos, que sofre de câncer de próstata. O paciente começou a usar morfina em fevereiro deste ano, duas vezes ao dia. A dona de casa conta que o medicamento ficou em falta por três semanas. Esta semana, o pai dela voltou a receber o medicamento, mas apenas uma vez por dia.

“Eles fizeram uma troca de remédio, mas ele ficou ruim, sentido dor o tempo todo e levamos para o hospital. Ele fica desesperado de tanta dor. Na segunda-feira [29] elas me falaram que ainda estava em falta a morfina, que ainda não conseguiram regularizar”, diz a mulher.

O secretário de saúde, Afonso Emerick, explicou que assumiu a pasta há dois meses e que não havia licitação de medicamentos em curso no município. Dessa forma, foi necessário providenciar um processo para adquirir remédios, o que demanda em torno de seis meses, segundo ele.

“Estamos com dificuldades, não só com a morfina, mas com outros medicamentos. Estamos recebendo doações e comprando até do bolso, para não deixar faltar para o usuário. Estamos com dificuldades de aquisição, pois a secretaria não pode comprar sem licitação, e recebemos o município sem licitação de medicamentos”, destaca.

Conforme o secretário, a morfina que existe não é suficiente para atender toda a população que necessita do remédio no município. Com isso, atualmente, a prioridade tem sido os pacientes hospitalizados.

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