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MPF deve pedir apoio da Força Nacional para combater invasões em terras indígenas de RO

A Superintendência da Polícia Federal (PF) informou na tarde desta quarta-feira (30) que o Ministério Público Federal (MPF) deve solicitar ao Ministério da Justiça apoio da Força Nacional nas terras indígenas que sofrem com invasões em Rondônia.

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklimberg Ribeiro Freitas, informou que o órgão, junto às forças estaduais e federais, vão integrar uma força tarefa para atuar na área de inteligência – investigar e identificar os responsáveis.

Uma das últimas operações da corporação aconteceu na terça-feira (29), em União Bandeirantes, distrito a pouco mais de 150 quilômetros do perímetro urbano de Porto Velho. Ao todo, 50 policiais participaram da ação.

O objetivo foi frear um grupo criminoso suspeito de exploração ilegalcontra uma floresta nativa concentrada na Terra Indígena Karipuna. Dois maquinários usados para desmatar a área foram apreendidos.

De 18 terras indígenas existentes no estado, seis delas já foram invadidas por grileiros e madeireiros. Um dos territórios é cinco vezes que o Distrito Federal, por exemplo.

A aldeia 623 da Terra Indígena (TI) Uru-eu-wau-wau foi invadida por pelo menos 100 pessoas armadas em 23 de janeiro. O local fica próximo ao município de Governador Jorge Teixeira (RO), a 322 quilômetros da capital rondoniense.

Há três semanas, a PF realizou uma operação em uma das reservas do Uru-eu-wau-wau. Na ação dentro da floresta, um jovem de 22 anos acabou preso e os demais invasores fugiram na mata.

Graças a esses problemas, um representante do Ministério da Justiça e o presidente da Funai seguiram para Rondônia em prol de se reunir com o governo do estado e tratar do assunto. Como resultado, o chefe da Funai pediu que a Justiça acione a Força Nacional para controlar o problema.

Por que preservar a Terra Indígena?

A terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau, por exemplo, tem 1.867.000 hectares de tamanho, o que equivale a 12 vezes o território da cidade de São Paulo ou 85% da extensão territorial do estado de Sergipe.

A unidade de conservação, a maior terra indígena dentro de Rondônia, é rica em biodiversidade e abriga nascentes de importantes rios que cortam o estado.

Segundo ambientalistas, a produção de energia através de hidrelétricas poderia ser comprometida, tendo em vista, que o Parque Nacional de Pacaas Novos abriga, por exemplo, a nascente do rio Jamari que abastece a Usina Hidrelétrica de Samuel, em Porto Velho.

Além disso, os ambientalistas acreditam que, caso a invasão se intensifique dentro da região, a agricultura e o próprio agronegócio, motor econômico do estado, poderiam sofrer sérias consequências com a possível falta de água. Outro impacto seria a desestabilização climática na região, importante fator para o cultivo de algumas culturas específicas.

Por fim, a própria vida dos indígenas que habitam a região demarcada estaria em risco. Isso porque cerca de dez aldeias, vários povos nômades, além de três povos isolados habitam a região. A sobrevivência desses indígenas é dependente da agricultura, caça e extrativismo restringidos a eles.

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