Cidades Esporte Rondônia Vilhena

Ex-técnico do Vec, Cesaretti, que morou no Japão, fala de atuação da Seleção Samurai

Nessa semana, Rondônia recebeu a visita de empresários chineses e americanos. As excursões chinesas pelo mundo vêm sendo frequentes e, no mundo do futebol não é diferente. Na Rússia, eles também estão presentes. Não é raro durante as transmissões dos jogos, se ver chineses vestidos com camisas de diversos países. O ex- Vec, Wanderley Cesaretti Moreira, que hoje mora na China conhece de perto essa situação e acredita que a proximidade dentre esses países facilita.

Atualmente no Pigtan Elementary School, a raiz de Wanderley Cesaretti Moreira está no Japão. Foram 14 anos de atuação em terras japonesas, desde 1998 a 2012, ele comandandou clubes japoneses.

Foram justamente os nipônicos que surpreenderam na primeira rodada da Copa do Mundo, inclusive ao próprio técnico, que falou após a vitória. Na próxima rodada, os samurais enfrentarão o Senegal, que também surpreendeu na rodada inicial. Cesaretti comenta o primeiro jogo.

– Foi surpreendente o resultado. O jogo teve uma expulsão logo no início, achei exagerada. O gol que os japoneses tomaram foi num mérito grande do jogador colombiano, bateu como o Ronaldinho e conseguiu marcar. Prefiro dar méritos ao batedor – disse ele.

Apesar da vitória, o time japonês apresentou algumas dificuldades. Kagawa, autor do primeiro gol, não teve uma atuação de destaque. Na segunda etapa, ele saiu para entrada de Honda. O Japão não conseguia muito.

Os nipónicos melhoraram com o intervalo, estabilizaram, mas nem por isso se pode dizer que tiveram grande arte ofensiva. Como quem aprendeu a amar o Japão, Cesaretti faz um apelo quanto a escolha de jogadores, relembrando desde a escolha dos 23 para compor a esquadra nipônica na Rússia.

– Quanto ao time chamado, como não chamar jogadores que foram destaque na Europa em detrimento de figurões que já deveriam ter parado na seleção, há muito tempo: como Honda, e Kagawa, por exemplo. Já começa errado daí. E em minha opinião quando se tem um jogador considerado revelação como o Ryota Oshima (do Kawasaki Frontale), ou Kento Misao (que é tido como promessa do Kashima Antlers) porque não colocarem estes jogadores como titulares, ou ao menos dentre os selecionados. Porque o Japão continua insistindo em não deixar crescer os novos talentos em detrimento de nomes, figurões. Enquanto esta política não mudar o Japão, que já poderia constar como uma boa seleção buscando posições melhores no ranking mundial, perde tempo, engana seu torcedor, e por fim perde torcedores. Estive por muitos anos no Japão e até hoje ouço que eles estão aprendendo. O Japão não precisa de desculpas dadas às derrotas.

Cesaretti ainda destaca que a venda dos ingressos da Copa do Mundo, que segundo dados divulgados pela própria FIFA, foram 40.251 bilhetes adquiridos pelos asiáticos, mostra o quanto o esporte une pessoas.

– Em primeiro lugar acho que a compra dos ingressos já é um meio de aproximação física dos dois países, depois pelo interesse natural de se fazer presente num grande evento e por último, existe de fato um interesse chinês em fazer do futebol uma realidade – afirma.

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Amigos

Quanto a relação de amizade com os russos, apesar de fora dos campos, haver essa boa relação e a Rússia já estar classificada para a próxima fase e goleando os adversários, o treinador brasileiro não acredita em preferência de torcida pelos representantes do Kremlin. Cesaretti também acha que a torcida hoje é mais pelas seleções europeias maiores.

– Não acho que eles irão torcer mais para os russos por conta desta relação extracampo. Com a crescente qualidade e interesse pelo futebol europeu, em conjunto com a europeização do nosso futebol – o que é um erro histórico na minha opinião – deixamos há muito tempo de sermos referência. Ainda que como exportadores somos muito fortes. A Copa do Mundo está expondo o quanto o futebol europeu vem se fortalecendo, fruto de uma organização severa, muito distante dos latinos de um modo geral – afirma o treinador.

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